Babyklappe, conheça a polêmica caixa do abandono

As Babyklappes surgiram para auxiliar as muitas mulheres que engravidam sem desejar, como resultado de violência ou falta de educação e auto cuidado.

Infelizmente a maioria das crianças geradas desta forma são mortas ou abandonadas ao nascer. Em certos países onde as temperaturas são muito baixas, esses anjos precisam ser encontrados logo ou não resistem ao frio.

Assim nasceram as chamadas babyklappes, caixas onde as mães que não podem ou não desejam criar seus filhos, deixam os pequenos para serem resgatados e encaminhados para adoção.

A origem da Babyklappe

roda dos rejeitados

Inegavelmente os registros do abandono de recém nascidos é tão antigo quanto a história da própria humanidade.

E as justificativas para este ato podiam ser porque a criança apresentava algum defeito físico, o pai não acreditar que o bebê fosse seu, falta de recursos para sustentar ou apenas por ser um filho de uma mãe solteira.

Fundamentalmente vale lembrar que neste período histórico as crianças não eram vistas como seres humanos com direito a vida. Isto só acontecia quando alcançavam uma idade onde podiam trabalhar, antes disto eram tidas como objetos ou animais.

A fim de reduzir o infanticídio de recém nascidos na Europa, no século XII surgiram as rodas do abandono colocadas em hospitais e conventos.

 Eram plataformas giratórias de madeira onde as mães depositavam, anonimamente, os bebês pelo lado de fora das instituições, giravam a plataforma e tocavam um sino para avisar que havia uma criança a espera.

As “Ruota degli esposti”, a roda dos expostos, como eram chamadas na Itália ou “Tour d’abandon” na França ficaram em uso até o século XIX quando começaram a entrar em declínio para serem substituídas pelas “Le berceau de la vie”, o berço da vida.

As “Babyklappes” ou “Baby box” as caixas de bebês, que atualmente estão espalhadas por toda a Europa e em alguns locais nos Estados Unidos, só aumentaram em número em 2020, para atender o máximo de crianças possível.

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As Babyklappes atuais

A Babyklappe moderna não tem sininho e tão pouco é feita de madeira. A mãe que necessitar deixar seu filho no compartimento, similar a uma janela pequena, com acesso a um mini quarto com berço aquecido e confortável para a criança, tem sua identidade preservada.

Além disso existe um sensor de presença que avisa a equipe de resgate do hospital onde a babyklapper está inserida.

Assim que a abertura da caixa é fechada não é possível abrir novamente por fora. Em poucos segundos a criança está nas mãos dos médicos recebendo os cuidados devidos para ser encaminhada à adoção.  

Toda mulher que desejar entregar seu bebê desta forma tem direito a realizar o parto de forma anônima e sua identidade é mantida em sigilo.

No momento da entrega do bebê na babyklappe, a mãe encontra uma carta com instruções em vários idiomas sobre como tirar as digitais do bebê e fornecer à criança uma certidão de nascimento sem que precise se identificar.  

Em Hamburgo na Alemanha, só em 2020 mais de 100 babyklappes novas foram abertas para receber essas crianças cujas mães não têm condições de criar ou não desejam, o mesmo ocorrendo por toda a Europa.

A polêmica em torno da Babyklappe

babyklappe

O número de crianças colocadas para adoção por este sistema é alto e a polêmica gira em torno do que seria realmente correto fazer nestes casos. As caixas não são a solução, mas paliativos para um problema social grave.

Todos os especialistas concordam que faltam políticas educativas mais eficazes, além de segurança para proteger estas mulheres e meninas da violência que tende a resultar em gestações indesejadas.

Entretanto as crianças não podem esperar que a sociedade evolua para lhes garantir a vida e muito menos as milhares de mulheres que passam por este tipo de situação.

Independente se a gravides foi fruto de um descuido, de falta de conhecimento ou de um ato de violência, as babykappes garantem uma solução para que muitas mães desesperadas não abandonem seus bebês em latas de lixo ou em outros locais inadequados como nos banheiros públicos.

Certamente que este sistema não impede que esta mulher engravide novamente, mas ao menos reduz a morte destas crianças e lhes dá uma oportunidade de encontrar um lar onde serão amadas.

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