Curare, o veneno usado pelos índios sul-americanos que ficou famoso na história e na indústria farmacêutica

O curare é um veneno usado a muitos anos pelos nativos sul-americanos para caçar, e sua fabricação é cheia de rituais e segredos. Além disso o místico veneno teve um papel importante na história quando os navegadores Europeus chegaram por estas terras, que eles chamavam de Novo Mundo, inclusive sendo citado na obra do historiador e médico italiano Pietro Martire d’Anghiera escrita em 1504. Mas e você conhece o Curare?

Curare e sua história

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O curare foi mencionado pela primeira vez na história através das cartas escritas pelo médico historiador Pietro Martire d’Anghiera em 1504, quando ele esteve na América do sul.

 Aliás, segundo ele um soldado fora morto pela flecha envenenada de um índio durante uma expedição no Novo Mundo, nome dado pelos europeus ao continente sul-americano.

Contudo atualmente os índios afirmam que o Curare só pode ser usado para caçar, nunca para guerrear.

Tanto que existem várias tribos nativas da América do sul que ainda usam o veneno na caça e pesca, sendo as mais conhecidas os Ticunas e os Macus habitantes da Amazônia.

De acordo com o relato destas tribos, o curare só pode ser feito pela mulher mais idosa da tribo e essa tradição é passada de geração em geração, vista como uma função importante, porém fatal.

Isto porque para fabricar o Curare, é preciso raspar a casca da planta que contém a substância, deixar secar e depois cozinhar por três dias em fogo brando até ganhar uma consistência viscosa. Mas infelizmente quem faz o processo respira os gases tóxicos liberados durante a fervura e acaba falecendo.

Contudo engana-se quem pensa ser este um fim trágico para ela, ao contrário, o marido, os filhos e netos da idosa veem este ato como um final honroso, pois o veneno será usado para alimentar toda a tribo durante muito tempo.

Então depois de pronto, o xarope de curare é armazenado em jarros de cerâmica e só será utilizado na hora da caça, quando os caçadores molham as pontas das flechas ou dardos que serão lançados de Zarabatanas para abater animais como macacos e aves.

 Contudo, depois que o curare acaba a missão de fabricar a próxima remeça é dada para a segunda mulher mais velha da tribo e assim por diante.

 Entretanto é importante dizer que isso pode demorar anos, pois o xarope de curare seca no jarro, mas basta ser diluído com água que volta a ter as propriedades letais de quando recém armazenado.  

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Como o veneno funciona

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Antes de mais nada o curare é usado em uma quantidade mínima, e o dardo ou flecha são lançados propositalmente no pescoço no animal a ser abatido, pois assim seu efeito é ainda mais rápido, geralmente, menos de um minuto.

Desta maneira o curare ao entrar na circulação sanguínea imobiliza o animal paralisando os músculos dos membros, pescoço e em seguida os músculos responsáveis pela respiração. Assim o animal morre asfixiado em menos de um minuto.

Além disso o veneno existente na carne não é letal aos índios pois o curare ao chegar no trato digestivo humano é destruído.

Do mesmo modo, um dos princípios ativos do curare tem uso significativo na indústria farmacêutica, estando presente na fabricação de relaxantes musculares, fundamentais para o tratamento e alívio dos sintomas de doenças crônicas como a fibromialgia.

Aliás um medicamento comum e bastante conhecido que nasceu graças ao estudo das substâncias do curare é a ciclobenzaprina, mais conhecido como Miosan, frequentemente indicado para dores musculares causadas por torcicolos, por exemplo.

Porém nunca se esqueça não se deve tomar medicamentos sem prescrição médica, afinal a automedicação pode ser prejudicial a saúde ou até fatal.

Créditos de imagem: https://www.chemistryworld.com/podcasts/curare-and-ouabain/3008865.article ; https://pt.wikipedia.org/wiki/Chondrodendron_tomentosum

Capa: site Pixabay.com

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