É possível que exista vida em Marte

Os pesquisadores descobriram dois grandes grupos microbianos que não conseguem respirar e usam um modo antigo de produção de energia. A descoberta dá esperança de vida em Marte.

De todos os planetas do sistema solar, Marte e Vênus são os mais semelhantes à Terra. Marte foi amplamente explorado nas últimas décadas, enquanto Vênus nem tanto, principalmente devido à sua atmosfera perigosa, que torna as missões robóticas um pesadelo.

Embora Marte e Vênus sejam muito semelhantes à Terra, eles também são planetas muito diferentes; Marte, por exemplo, mal tem atmosfera, enquanto a de Vênus é tão tóxica que é difícil imaginar que qualquer coisa possa viver lá. No entanto, estudos recentes têm demonstrado a possibilidade de existência de vida na atmosfera de Vênus.

Em Marte, as coisas são diferentes. No planeta vermelho, se houver vida, provavelmente está localizada abaixo da superfície. Se isso for verdade, as missões do Perseverance Rover, atualmente a caminho de Marte, com data de chegada para o início de 2021, possuem a tarefa de procurar vida passada ou presente em Marte.  E embora ainda não tenhamos certeza se existe vida lá, um grande estudo aqui na Terra revela que existam chances muito boas de que Marte seja habitado agora.

 

Vida sem oxigênio?

Um estudo publicado na Frontiers in Microbiology revelou dois grandes grupos microbianos que não respiram. Esses grupos podem viver de forma independente, usando um antigo modo de produção de energia que não envolve respiração.

“Esses micróbios, que pertencem aos grupos Patescibacteria e DPANN, são exemplos realmente especiais e empolgantes da evolução inicial da vida”, explicou Ramunas Stepanauskas, pesquisador sênior do Bigelow Laboratory for Ocean Sciences e autor do artigo.

“Eles podem ser resquícios de antigas formas de vida que estavam se escondendo e prosperando na subsuperfície da Terra por bilhões de anos.”

Usando técnicas moleculares avançadas, Stepanauskas e sua equipe analisaram milhares de genomas microbianos para descobrir mais sobre sua história evolutiva.

Isso revelou que há dois grupos de micróbios que praticamente não têm a capacidade de respirar, e dessa forma, contam com antigas formas de produção de energia.

Esses organismos habitam o interior do nosso planeta e sobrevivem em diferentes ambientes. Eles parecem obter energia apenas por meio do processo de fermentação. Isso pode parecer estranho, mas na verdade não é: a espécie humana também é capaz de fermentar quando os músculos ficam sem oxigênio durante o exercício intenso. Porém, nós humanos, usamos isso apenas como uma fonte de energia secundária que suplementa a primária.

Em outras palavras, o que os pesquisadores descobriram são, essencialmente, organismos que nunca aprenderam realmente a respirar. Os cientistas estudaram micróbios de ambientes muito diferentes ao redor do mundo. O estudo envolveu a exploração de um vulcão de lama localizado no fundo do Mediterrâneo; fontes hidrotermais no Pacífico; bem como algumas das minas de ouro mais profundas localizadas na África do Sul.

“Esses dois ramos principais da árvore evolutiva da vida constituem uma grande parte da diversidade microbiana total do planeta – e ainda assim, eles carecem de algumas capacidades que são normalmente esperadas em todas as formas de vida”, revelou Stepanauskas.

Para entender como esses organismos existem, precisamos olhar para trás, na história geológica passada da Terra, a cerca de 2 bilhões de anos, quando não havia oxigênio em abundância na atmosfera do planeta Terra.

Hoje, o oxigênio é um componente chave na atmosfera do nosso planeta e é essencial para a existência de vida. No entanto, isso ocorre quando se olha para a superfície. Abaixo da superfície, algumas centenas de metros, as coisas permaneceram essencialmente as mesmas, e a vida subterrânea permaneceu, na maior parte, a mesma, sem mudanças notórias.

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Embora o estudo tenha revelado uma infinidade de dados sobre como funciona o interior do planeta e como é a vida sob a superfície, ele é capaz de ajuda a entender melhor a possibilidade de vida em planetas como Marte.

Ambientes subterrâneos no planeta vermelho, bem como outras partes do sistema solar, podem se parecer com os ambientes presentes abaixo da Terra. Os dois principais grupos microbianos, descobertos por especialistas, não parecem exigir muito para sobreviver e podem viver por milhões de anos com muita pouca energia.

Se tais organismos podem sobreviver abaixo da superfície de nosso planeta, por que organismos semelhantes não poderiam sobreviver abaixo da superfície de planetas como Marte?

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Crédito imagem: pixabay

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