Idade Média: os tratamentos absurdos que diziam curar de infertilidade até bruxaria

A Idade Média decididamente marcou presença na história como um periodo onde a ciência era desacreditada em prol da religião e das muitas superstições, algumas populares até hoje. Entretanto o que mais surpreende são os tratamentos médicos absurdos que diziam curar de tudo, até bruxaria. Mas uma descoberta feita em 2020 pode mudar tudo o que sabemos sobre a medicina e a cultura deste periodo histórico, trazendo luz para a Idade das trevas medieval.

Tratamentos contra infertilidade

tratamentos

Ter filhos meninos era de suma importância na Idade Média, principalmente para os homens da nobreza, pois precisavam de um herdeiro e assim manter suas propriedades dando continuidade a linhagem da família.

Em virtude disto, muito chegavam a realizar procedimentos e tratamentos absurdos, que variavam dos mais engraçados aos mais assustadores.

Por exemplo, homens que desejavam ter filhos e não filhas, permitiam que seu testículo esquerdo fosse removido através de uma cirurgia realizada em casa, na cama do casal, sem nenhum tipo de higiene.

Tudo porque era de conhecimento popular que o esperma produzido pelo testículo esquerdo gerava meninas enquanto o direito gerava meninos.

Esta teoria absurda da Idade Média acabou gerando outra tão ruim quanto. De acordo com os especialistas da medievais, dentro dos espermatozoides havia uma minúscula criança, já formada, que apenas precisava crescer.

 Assim o papel da mulher ficava reduzido ao de uma incubadora para os filhos, que eram unicamente produzidos pelo marido.

Contudo logo outra teoria apareceu para rebater a anterior, ao dizer que a vida em si já estava acontecendo no interior do corpo feminino, porém em estado adormecido. Desta forma era necessário a presença do esperma para despertar a criança fazendo-a crescer.

Mas se o homem tiver sobrevivido a retirada do testículo, e o casal ainda não conseguiu gerar um filho, então era hora de rever os tratamentos médicos e partir para os medicamentos.

Então, nessas horas o paciente precisava ter estômago de aço, pois uma das receitas dizia para beber testículos de porco seco, moídos e misturados no vinho. Tudo isso após um jejum de três dias.   

Embora absurdas essas receitas e tratamentos estão descritas em vários livros médicos, entre eles, textos do século XIII, onde é descrito tratamentos ginecológicos chamados Trotula.

 A Trotula era indicada para homens e mulheres na Europa com o objetivo de tornar fértil o casal. Contudo este livro não é o único da Idade Média com tratamentos médicos um tanto duvidosos.

Outro texto do mesmo tipo é chamado The Liber De Diversis Medicinis, um manuscrito medieval que foi compilado no século XV por Robert Thornton, um escriba e proprietário de terras da época.

O mais surpreendente é que o texto faz parte de uma obra dividida em poemas românticos, poemas religiosos e, finalmente a terceira parte, composta pelos textos médicos recheados de remédios que levam testículos de castor, urina humana entre outros.  

 Bebês são insensíveis a dor

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Inegavelmente na Idade Média quem mais sofria com os tratamentos médicos eram os bebês e suas mães.Pois é, isso porque os médicos e sábios da época acreditavam que os bebês nasciam subdesenvolvidos e, portanto, incapazes de sentir dor, condição que acreditavam durar até mais ou menos 1 ano de vida da criança.

Assim todos os tratamentos médicos feitos em bebês não utilizavam anestesia de nenhum tipo, nem mesmo durante procedimentos cirúrgicos.

Porém por mais que esta ideia seja um completo absurdo, ela só foi desmentida na idade moderna, em pleno século XX.

Tanto que um artigo foi publicado em 2015 pela Universidade de Oxford, Inglaterra explicando a complexidade da atividade do sistema nervoso responsável pela dor em adultos e em crianças, afirmando o óbvio: bebês sentem dor. Viva a medicina moderna.

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Síndrome de Koro

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Na Idade Média as pessoas tinham medo de tudo, mas principalmente das bruxas. Entretanto alguns relatos observados nos textos medievais chamaram a atenção dos pesquisadores devido a sua estranheza.

Um deles foi descrito no livro chamado Malleus Maleficarum datado de 1485, onde o autor Heinrich Kramer, afirma que essas mulheres teriam o poder de roubar os órgãos genitais masculinos, fazendo-o desaparecer.

Inclusive Kramer cita sua própria experiência atestando que seu órgão foi roubado e, o que ele possui no lugar é apenas uma ilusão, criada por feitiçaria.

Mas por qual motivo as bruxas fariam isso? Bem de acordo com o livro, os órgãos masculinos eram usados como pets das feiticeiras. Ou essa era a explicação dada pelos médicos da época.

Além disso, de acordo com os relatos, as Bruxas colocavam os membros roubados em um ninho onde eram alimentados e cuidados.

Porém apesar de parecer mais um dos absurdos específicos da época, existe uma explicação bastante razoável para essa crença medieval.

De acordo com pesquisadores a lenda teria nascido em consequência de uma doença chamada síndrome de Koro. Aliás segundo os psiquiatras, a doença está ligada a uma crise severa de ansiedade relacionada ao desejo ou medo da infertilidade.

Quem sofre da síndrome de Koro acredita realmente que seus órgãos genitais, tanto masculinos como femininos, estão se retraindo para o interior do próprio corpo, gerando a impotência e incapacidade de ter filhos.

Então como as pessoas da época não sabiam explicar o que estavam vivenciando, defendiam fortemente que as bruxas estavam roubando seus genitais com magia negra, alimentando ainda mais o medo já existente entre a população.

Assim não é de se surpreender que a caça às bruxas também foi motivada, infelizmente, pelo medo que as pessoas tinham das doenças causadas pelos supostos feitiços.

Inegavelmente é quase um milagre que a civilização tenha sobrevivido depois de passar pelos tratamentos médicos da Idade Média.

Uma luz para a idade das trevas

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Embora a Idade Média também tenha ficado conhecida como a idade das trevas, recentemente uma descoberta trouxe a  luz para este período da história. Pois é, tudo graças a um manuscrito do ano de 905d. C. encontrado nos arquivos da Biblioteca Britânica em 2020.

De acordo com os especialistas os textos contêm uma receita de 1000 anos para tratar infecções oculares chamada de Pomada de Bald ou Bald’s eyesalve. Apesar de fazer jus as receitas médicas da Idade Média, pois contém alho, cebola, vinho e bílis bovina.

Para surpresa dos cientistas, ao testarem a eficácia da mistura, ela se mostrou promissora contra bactérias significativas, tipo as causadoras de meningite, de infecções pós-operatórias, infecções pulmonares e as causadoras de febre reumática entre outras.

Contudo os cientistas ainda não sabem explicar como essa mistura tão improvável nasceu e muito menos como ela consegue ser um antibacteriano tão eficaz com esses ingredientes.

Mas os estudos continuam e, segundo os cientistas, a intenção é criar um novo antibiótico natural mais eficiente dos que os usados atualmente, devido a resistência adquirida pelos microrganismos.

Créditos de imagem: http://samauma.com.br/site/ordem-maconica/hospitaleiros/ ; https://tendimag.com/2017/09/03/estava-quase-morto-quando-vim-ao-mundo-o-parto-na-idade-media/ ; https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/marginalia-alucinadas-ilustracoes-dos-livros-medievais.phtml ; Pixabay-sunset-3084651_640.jpg

Capa: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-lobotomia-tecnica-medieval-que-ganhou-o-nobel.phtml

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