Lúpus: a cura desta e outras doenças pode estar mais perto do que se imagina através da Terapia imunogenética experimental

O lúpus ou LES, assim como muitas doenças autoimunes, tira a qualidade de vida de milhares de pessoas no mundo todo. Entretanto um tratamento criado para combater tumores cancerígenos chamado terapia imunogenética, ainda em fase experimental pode ser a solução por muitos esperada. Venha descobrir.

Lúpus, o que é? Quais as causas?

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Antes de mais nada é preciso explicar o que é a doença para depois entender a possibilidade de cura.

O lúpus é uma doença autoimune, ou seja, as células de defesa naturais do organismo, mais especificamente os linfócitos B, não reconhecem as células que formam os tecidos e órgãos no corpo.

Assim as atacam causando um processo inflamatório em vários órgãos como coração e pulmões, além disso também afetam a pele e as articulações, causando vermelhidão e dores intensas.

Sendo que os sintomas mais frequentes são a presença de febre baixa, porém constante, manchas na pele, principalmente nas regiões mais expostas ao sol, dores articulares, fraqueza e emagrecimento.

Aliás acredita-se que mais de 65.000 pessoas sofram com lúpus só no Brasil, sendo a maioria mulheres entre 20 e 45 anos.

Entretanto infelizmente ainda não se sabe todas as causas da doença, mas o fator genético é um dos fatores principais. Além disso acredita-se que alterações hormonais e fatores ambientais tenham participação ativa no processo de desencadear a doença.

De acordo com o site da Sociedade Brasileira de Reumatologia“Embora não exista um exame exclusivo para diagnosticar o lúpus, ou seja 100% especifico, a presença do exame chamado FAN (Fator ou Anticorpo Antinuclear), principalmente com títulos muito elevados em pessoas com sinais sintomas de LES (Lúpus), permite um diagnostico com alto índice de certeza.”

 Isto permite que o tratamento seja feito o quanto antes evitando o avanço do Lúpus, que em certos casos pode ser fatal.

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Lúpus e a Terapia imunogenética experimental

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O Lúpus assim como a esclerose e certas doenças reumáticas são autoimunes, desta forma o corpo acaba se tornando seu próprio inimigo ao atacar a si mesmo.

 Entretanto no caso do LES ou Lúpus Eritematoso Sistêmico, as células de defesa do tipo linfócito B atacam outras células saudáveis do organismo que compõe os músculos e tecidos do coração, pulmões, rins, articulações e pele.

Inegavelmente devido ao processo inflamatório desencadeado pelo Lúpus, as pessoas doentes ficam incapacitadas de realizar atividades físicas e até outras comuns ao dia a dia como subir escadas ou brincar com os filhos, devido as dores, falta de ar e palpitações no coração.

Contudo no início deste ano, em março de 2021 uma equipe médica resolveu tratar o lúpus de uma jovem de 20 anos chamada Thu-Thao V com uma terapia aplicada ao tratamento do câncer chamada terapia imunogenética experimental. Simplesmente porque todos os tratamentos conhecidos já haviam falhado.

A terapia imunogenética foi criada pelos médicos James P. Allison e Tasuko Honjo, ganhadores do prêmio Nobel em 2018 pela descoberta do tratamento inovador.

 Segundo eles a terapia consiste em alterar geneticamente as células de defesa para que elas consigam voltar a atacar a doença, pois no caso do câncer, o tumor libera proteínas que inibem as células de defesa chamadas linfócitos T de atacar o tumor.

Contudo o novo medicamento retira este bloqueio devolvendo aos linfócitos T a capacidade de atacar e destruir o tumor.

Agora no caso do Lúpus, o problema está na reação exagerada em alguns linfócitos B, então a terapia alterou geneticamente os linfócitos T, os fazendo atuar diretamente apenas nos linfócitos B reagentes.

 Assim a reação das células de defesa B “defeituosas” é interrompida, evitando o processo inflamatório nos tecidos saudáveis do organismo.

Inegavelmente a terapia foi um sucesso pois de acordo com os especialistas responsáveis pela aplicação do tratamento experimental na jovem Thu-Thao V, ela está sem sinais nem sintomas do Lúpus.

Aliás ela já estaria levando uma vida saudável, o que era impensável para a jovem desde que a doença se manifestou quando tinha 16 anos.

Entretanto apesar do processo ter parecido simples, por ser ainda um tratamento experimental, só foi usado como último recurso, quando todos os demais falharam.

Além disso  a jovem ainda será acompanhada de perto por uma equipe médica especializada enquanto a terapia imunogenética está sendo estudada como mais uma opção de tratamento para pacientes com outras doenças autoimunes como artrite e esclerose.

Créditos de imagem: foto 1 site: http://www.bancodasaude.com/info-saude/lupus-eritematoso/ ; foto 2 pixabay cells-g1e387cc2b

Capa: pixabay. com woman-g8a551c0

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