O plasma de pacientes curados do Covid-19 pode salvar vidas

O Brasil espera ansioso pela notícia de um medicamento ou vacina que sejam eficazes no tratamento do Covid-19. Nessa corrida contra o tempo, é no plasma do sangue das pessoas curadas que cientistas encontraram uma forma de tratar os pacientes que estão em estado grave por causa da Covid-19.

No último sábado (4), médicos receberam autorização para efetuarem os testes em território brasileiro. Anticorpos neutralizantes é como se chama a defesa que o corpo adquire quando vence a batalha contra um vírus, incluindo o coronavírus. Aqueles que se recuperaram da Covid-19, levam em seu corpo estes anticorpos que podem ser usados como uma ajuda por aqueles que estão com sintomas mais severos.

Em entrevista ao G1, Paulo Niemeyer, diretor do Instituto do Cérebro, fala que um número muito grande de pacientes não responde a nenhum tipo de tratamento e acabam falecendo. Para mudar estes resultados, é preciso achar um outro tipo de tratamento que possa vir recuperar este paciente, dando uma nova chance para ele, e não apenas ficar assistindo a esse grupo de pessoas que não responde aos medicamentos e acaba falecendo.

 

O tratamento com o plasma do sangue

O plasma é uma solução aquosa amarela que representa cerca de 55% do volume sanguíneo e é constituída de água, proteínas e sais minerais. É no plasma que são transportados os anticorpos que o corpo cria quando entra em contato com algum tipo de vírus.

O novo tratamento consiste na coleta destes anticorpos de pacientes que tenham se curado da Covid-19, para uso como medicamento nos casos de pessoas que estejam correndo risco de vida. Uma vez que os anticorpos são recebidos pelo paciente, eles vão auxiliar o corpo a se defender dos vírus do coronavírus, estimulando seu aparelho imunológico contra a agressão inflamatória da doença.

Outros países já estão testando a terapia de infusão de anticorpos. De forma experimental, ela foi aprovada nos Estados Unidos, pela Agência Reguladora de Medicamentos. A China, que já fez seus testes do tratamento em pacientes em estado grave, teve resultados satisfatórios, indicando que pode dar certo.

O tratamento a partir da infusão de plasma já é conhecido e já foi utilizada com sucesso em outras pandemias: Na pandemia do vírus do H1N1, no ano de 2009, e em 2003, na epidemia da SARS.

Em uma situação aonde até o momento não foi encontrado um tratamento efetivo que possa ajudar aqueles pacientes que se encontram em tratamento intensivo, é justificável e deve ser explorado na recuperação e redução da mortalidade.

Assim como já deu certo para o tratamento de outros vírus, espera-se que os pacientes que venham a receber o plasma de pacientes curados do Covid-19, criem defesa contra o vírus e ajude no controle da inflamação de órgãos vitais, como pulmões e coração.

Bolsa de sangue

A facilidade que o vírus tem de debilitar um grande número de pessoas, faz com que as UTIs estejam sobrecarregadas. O tratamento possibilitaria não somente aumentar as chances dos pacientes, mas também encurtaria o tempo de recuperação na UTI, abrindo espaço para que outras pessoas em estado grave possam ser tratadas.

Os hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, em consórcio com a Universidade de São Paulo, receberam a autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa para iniciar o teste com o plasma dos pacientes curados.

Se a terapia funcionar como se espera, ela será útil para evitar que um grande número de pessoas vá para a UTI, justamente aonde está o maior gargalo. O objetivo da pesquisa, entre outras coisas, é claramente diminuir o número de pacientes que necessitem de suporte de terapia intensiva – explica o diretor de pesquisa do Hospital Albert Einstein, Luiz Vicente Rizzo.

A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em nota técnica, fala sobre o tema. Ela reconhece o plasma como uma opção em potencial para tratamento contra a Covid-19, porém, deixa claro que o tamanho limitado das amostras impede uma comprovação definitiva sobre a eficácia do tratamento.

Sem evidências científicas conclusivas da eficácia do tratamento do plasma com anticorpos para o Covid-19, o Ministério da Saúde, após revisão, irá verificar se há dados suficiente que comprovem a eficácia do tratamento. Verificado a eficácia da terapia, o ministério avaliará a possibilidade de compartilhar orientações para a utilização em serviços de saúde.

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Um estudo com 45 pacientes curados da Covid-19 terá início imediato no interior de São Paulo. Nas infecções virais, todos os corpos produzem anticorpos contra os vírus que atacam o nosso corpo. A vacina tem o mesmo princípio, atuado previamente, antes mesmo que tenhamos contato com o vírus, para que já tenhamos anticorpos.

Infelizmente, para o vírus da Covid-19 ainda não existe uma vacina. Porém, apesar das limitações existentes no tratamento com o plasma, poder transplantar estes anticorpos de pessoas já curadas, para pacientes em estado mais crítico, pode ser o meio para salvar milhares de vidas e fazer com que a vida volte ao normal.

Crédito imagem: pixabay

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