Conheça a triste história das crianças vendidas para limpar chaminés

Nos dias de hoje, é muito triste saber que o número de crianças entre 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil ainda é expressivo. Os dados da PnadC (Pesquisa Nacional por Amostra a Domicílios) mostram que no Brasil em 2016, aproximadamente 2,4 milhões de crianças estavam nesta condição.

Mas este triste fato não é algo exclusivo do nosso pais. Há um capítulo terrível na história da Inglaterra, aonde crianças foram amplamente utilizadas como limpadores de chaminés por cerca de 200 anos. A vida destes pequenos, que foram forçados a limpar chaminés, não foi nada fácil.

Criança no telhado

A necessidade de usar crianças pequenas como limpa-chaminés começou após o Grande Incêndio de Londres, que ocorreu de 25 de setembro de 1666. Na época, a antiga cidade de Londres foi destruída pelo fogo e com isso, novos regulamentos de construção, projetados para manter a cidade mais segura, foram implementados. As lareiras tinham que ser construídas de uma certa maneira, com chaminés mais estreitas e tornou-se mais importante garantir que as chaminés estivessem livres de obstruções após uma quantidade generosa de uso. Foi quando o uso e o abuso de crianças como limpadores de chaminé se espalharam.

Um garoto era tradicionalmente comprado de seus pais, em situação de pobreza, por um mestre que a chamava de “aprendiz da criança”. Mas o que realmente ocorria, é que a criança se tornava, em essência, escrava, já que seus pais não tinham tido outras opções ou oportunidades de dar uma vida melhor aos seus pequenos, ao ponto de impedir a venda.

As crianças eram obrigadas a rastejar por chaminés estreitas e claustrofóbicas. Há relatos de que alguns “mestres” acendiam fogueiras para obrigá-los a fazer a limpeza das chaminés mais rapidamente. Dizia-se que a idade ideal para um limpador de chaminé começar a desempenhar a função era de 6 anos, mas não era incomum encontrar crianças de apenas 4 anos de idade limpando chaminés.

Utilizando as costas, cotovelos e joelhos, as crianças se moviam por dentro da chaminé, e com uma escova circular sobre as suas cabeças, esfregavam para soltar a fuligem que caia sobre elas. Chegando ao topo da chaminé, desciam e recolhiam a pilha de fuligem.

 

A saúde das crianças

Os efeitos na saúde de quem fazia este trabalho eram devastadores. As crianças frequentemente ficavam atrofiadas ou desfiguradas por causa da posição a qual precisavam ficar constantemente, já que ainda estavam em fase de crescimento. Os joelhos e as articulações do tornozelo eram afetados com mais frequência. Os pulmões das crianças ficavam doentes e suas pálpebras estavam frequentemente doloridas e inflamadas.

Os meninos frequentemente desenvolviam o Câncer de Chaminés, que era o câncer do escroto, que geralmente atingia os meninos na adolescência. Além desses riscos à saúde, muitas vezes os meninos ficavam presos e morriam nas chaminés.

Criança com adulto em cima da chaminé

Geralmente dormiam em um porão entre os sacos pretos usados ​​para coletar a fuligem das chaminés. Alguns dizem que tomavam banho uma vez por semana, e outras fontes dizem que tomavam banho apenas poucas vezes ao ano. E os meninos eram forçados a trabalhar desde o horário do amanhecer até tarde da noite, supostamente tendo apenas um dia de folga por ano. O feriado deles era no primeiro dia de maio ou “Dia Internacional do Trabalho”.

Com o passar do tempo, foram tomadas medidas para acabar com o tratamento descaradamente cruel dos limpa-chaminés. Uma peça clássica da literatura chamada “Os bebês da água” e escrita pelo reverendo Charles Kingsley, foi publicada na íntegra em 1863 e ajudou com a causa. É a história de um garotinho que escapa de sua vida cruel e parte em uma aventura de fantasia.

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Então, em fevereiro de 1875, um limpador de chaminé de 12 anos chamado George Brewster, ficou preso nas chaminés do Hospital Fulbourn, onde foi enviado por William Wyer, seu mestre. Uma parede inteira foi derrubada na tentativa de resgatar o garoto, que infelizmente morreu logo após o resgate.

Wyer foi considerado culpado de homicídio culposo. A morte de Brewster se tornou parte de uma campanha agressiva e um projeto de lei foi enviado ao Parlamento em setembro de 1875, que pôs fim à prática de usar crianças para limpar chaminés na Inglaterra. George Brewster foi o último filho a morrer em uma chaminé.

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