O sonho de ser mãe depois dos 50 anos

O sonho de ser mãe depois dos 50 anos está ficando comum na sociedade atual, no mundo todo. A atriz Jennifer Aniston comemorou 51 anos de vida este mês e revelou para a revista Interview Magazine, sua vontade de ser mãe.Então,Jennisfer é filha dos atores John Aniston e Nancy Dow, que se divorciaram quando ela era criança. De acordo com a atriz o processo foi difícil e traumático para ela, causando uma sensação de insegurança quanto a maternidade futura. Porém, com 51 anos e mais madura, Jennifer Aniston assumiu que ainda quer viver a maternidade apesar da idade.

Em princípio, segundo ela o sonho de ser mãe é algo que está ansiosa para fazer no futuro. “É como uma imagem na minha cabeça, ouço o oceano,vejo o oceano, ouço risadas, vejo crianças correndo, ouço gelo em um copo, sinto o cheiro de comida. É essa a imagem feliz que tenho na minha cabeça”.

Todavia,a alguns anos atrás esta vontade da atriz e de muitas mulheres pelo mundo seria algo muito difícil de se conseguir, um sonho improvável de se realizar sem recorrer a adoção. Mas, atualmente,com os avanços da medicina, a sociedade está mudando, principalmente para as mulheres com o sonho de serem mães, mesmo com idade considerada avançada para uma gestação.

Embora, na teoria, seja possível engravidar em qualquer idade, desde que aconteça antes da menopausa, o fato é que vai ficando cada vez mais difícil e mais arriscado para a mulher e para o bebê. Conforme dados do (IBGE) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o número de mulheres que se tornaram mães depois dos 40 anos aumentou em 88,5% de 48. 402, em 1998, para 91 212, em 2018.

De acordo com a antropóloga Mirian Goldenberg que estuda o fenômeno da maternidade tardia “As mulheres estão pela primeira vez na história experimentando a maternidade de uma forma livre, respeitando o próprio desejo e o tempo que precisam para decidir ter filhos ou não”. Similarmente, a revolução social deste fenômeno, para as mulheres, seria comparado com a chegada da pílula anticoncepcional em 1960.

Primordialmente, a maternidade a partir dos 40 anos permite às mulheres se dedicarem à carreira profissional mais calmamente, adiando a gestação sem culpa e sem a necessidade de optar entre o  sonho do sucesso profissional ou o sonho de ser mãe, pois a concepção assistida pela medicina permite esta escolha.

Mãe Após os 50 Anos: O que diz o CFM

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabeleceu 50 anos como a idade máxima para engravidar por métodos não naturais em uma portaria publicada em de 2013. Mas após inúmeros debates, em 2015 foi feito uma  nova Resolução nº 2.121/15 que específica que mulheres com mais de 50 anos poderão utilizar técnicas de reprodução assistida desde que assumam riscos juntamente com o médico. Em suma, esta é uma das novidades que atualizou a normativa anterior, aprovada em 2013.

Então,agora são os médicos que avaliam cada caso e ficam responsáveis por advertir as pacientes dos riscos envolvidos que podem ocorrer para o bebê como má-formação congênita e baixo peso do recém nascido, passando por problemas e riscos com a saúde da mãe como hipertensão, diabetes gestacional e parto prematuro. Uma concepção natural aos 50 anos ou um pouco mais tarde é possível, mas as chances são pequenas, chegando a menos de 1% de possibilidade.

Além disso, mesmo com a fertilização in vitro, a possibilidade não passa de 5%. Entretanto nos casos em que a mulher já havia congelado os óvulos quando mais jovem, entre 20 e 30 anos, nesse caso as chances aumentam. Com efeito o Ministério da Saúde aponta que entre 2007 e 2016 o total de mães após os 50 anos cresceu 37%  indo de 261 casos para 358 casos, dando uma média de quase um parto por dia. Segundo o presidente da Câmara Técnica de Reprodução Assistida do Conselho Federal de Medicina (CFM), o Dr. José Hiran Gallo, o número pode parecer pequeno, mas mostra a tendência no aumento de casos na busca pela maternidade após os 40 anos.

Ainda conforme Gallo, “A resolução do CFM sempre teve como foco preservar a saúde da mulher, nunca prejudicar. Mas fomos percebendo que as mulheres estão cada vez mais saudáveis e vivendo por mais tempo. Por que tirar delas a chance de serem mães?

A melhor idade para engravidar é entre 17 e 25 anos, mas sabemos que isso ocorre cada vez menos. “Só que os especialistas afirmam que o maior empecilho para conceber, seja naturalmente ou assistido, depois dos 50 anos é com relação aos óvulos pois quanto mais idade a mulher estiver, pior a qualidade do óvulo e com a menopausa ela para de produzi-los, o que torna quase nula a chance de uma gravidez natural nesta etapa da vida.

Contudo entre as alternativas estão congelar óvulos ou aceitar a doação de óvulos jovens e viáveis de doadoras, que pode ser uma pessoa de confiança ou uma parente da futura  gestante. Para o especialista em reprodução humana o Dr.  Alfonso Araújo Massague uma vantajem é que o útero não envelhece na mesma velocidade que os óvulos, desta maneira, se a mulher possuir um útero saudável e não apresentar nenhum problema de saúde, suas chances de engravidar se aproximam de 60%.

Ele também  afirma que “Se a mulher recorrer à ovo doação, por exemplo, os riscos de abortamento e síndrome de Down são baixíssimas”. Mas deixa claro, assim como os demais especialistas que,  os riscos do final da gravidez ainda existem como eclampsia, diabete gestacional, hipertensão e parto prematuro.

As Vantagens da Maternidade Tardia

As mulheres que se tornam mães maduras, ou seja após os 40 anos, são crias de dois importantes fundamentos científicos: a nova consciência e os cuidados da mulher com o próprio corpo, a adoção de um estilo de vida mais saudável e o tratamento precoce de doenças no estágio inicial, além dos saltos no avanço da medicina.

Certamente, todas estas ações conjuntas resultaram no prolongamento da vida útil dos órgãos reprodutivos femininos. Segundo a psicóloga Rose Massaro Melamed, da clínica Fertility de São Paulo “Em nome da estabilidade financeira, independentemente do companheiro, as mulheres adiam a gravidez, e sabem que podem fazê-lo, hoje, porque haverá recursos que não existiam até muito recentemente”.

Com toda a certeza isso é uma vantagem pois fornece uma segurança e uma liberdade para as mulheres, além do mais, outra vantagem está nos filhos destas mães mais maduras que de acordo com um estudo realizado e publicado pela revista científica Translational Psychiatry dos EUA e Reino Unido, os filhos de pais mais velhos tendem a ser mais inteligentes. De fato foram analisados 15 000 pares de gêmeos com 12 anos de idade,filhos de pais maduros, e os pesquisadores  perceberam a seguinte e inesperada situação: Essas crianças são mais talentosas nas áreas de matemática e tecnologia ,além de possuírem uma maior capacidade de concentração.

Como se não bastasse esses fatos, há outra vantagem. Da mesma forma um levantamento realizado na Dinamarca constatou que mulheres quando se tornam mães numa idade mais madura são mais pacientes para lidar com os filho e mais hábeis na hora de estabelece regras e limites.

As Desvantagens da Maternidade Após os 40 Anos

A maior desvantagem está nos riscos para a saúde tanto da mãe como do bebê, caso não tenham um acompanhamento frequente. Ou seja uma das maiores complicações durante a gravidez, principalmente após uma certa idade, é a pressão alta desenvolvida na gestação ou eclâmpsia, entre as gestantes acima de 40 anos, a incidência pode ultrapassar os 20%, se não houver cuidados prévios.

Porém em mãe mais jovens a incidência é de menos de 5%. Para o diretor médico da clínica Fertility, em São Paulo, o Dr. Edson Borges “As mulheres hoje chegam aos 50 anos com a mesma capacidade de gestar que uma de 30”.

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O Sonho de Ser Mãe depois dos 50 Anos

Entretanto quanto ao sonho de ser mãe depois dos 50 anos é preciso deixar claro que o Conselho Federal de Medicina só regulamenta os atos dos médicos quanto aos procedimentos praticados nos tratamentos aos pacientes sobre a reprodução assistida e as resoluções do CFM sobre a reprodução assistida são as únicas normas no Brasil a tratar diretamente do assunto, visto que o Congresso Nacional ainda não produziu nenhuma lei sobre este tema.

Atualmente, existem no Brasil 106 clínicas de reprodução assistida, que realizam mais de 60 mil transferências de embriões em pacientes submetidas a técnicas de fertilização in vitro. Porém, legalmente, nem os planos de saúde, nem o Sistema Único de Saúde (SUS) são obrigados a custear técnicas de reprodução. Mas no que se refere ao SUS já tramitam projetos de lei no Congresso Nacional que visam garantir esta cobertura. Nesse ínterim, no Brasil, existem apenas algumas instituições que oferecem o tratamento: o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), o Hospital da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Hospital das Clinicas de Belo Horizonte.

 

Créditos da imagem: pxhere

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